Tuesday, August 29, 2006

Ah! Heya Heya, Ah! Heya Heya!

Ontem a noite tivemos o prazer de mais uma vez reunir os irmãos musicais da Mandala. Nos reunimos na minha casa antiga, no Cristal (antigo território indigena), pelas 20h, e paramos de tocar após a meia noite. Pela primeira vez restaram registros gravados (no mp3 player né, não é uma brastemp, mas dá pra sentir o clima).

A espiritualidade que brota da musica ritualistica é extremamente direta e pura...não há como fugir da essência do espirito no momento que você entra na mandala musical. Em alguns momentos pode ser assustador, perturbador, por que, de forma imediata, ao se liberar a energia correta através do som, você entra em uma nova atmosfera de percepção, outra realidade em meio a essa que geralmente nos vemos.

Os ensinamentos budistas sobre a criação da identidade na existência cíclica afirmam que, por apego e agitação interna, condensamos a natureza ultima da mente, motivados pelo desespero por estabilidade adentramos os mundos, através do ciclo de nascimento, esforços pela vida, decrepitude e morte. Um processo continuo de sofrimento. Ao entrar na mandala da musica, momentaneamente essa identidade que criamos para nós mesmos se dissolve...e adentramos, em flashes na vasta área do nosso inconsciente pessoal, clarificando nossa vida, e gerando varias inspirações, insights...

A maioria das pessoas que não tiveram aulas de musica, ou contato direto com ela, costumam ter um preconceito interno enraizado dizendo "eu não sei tocar, não vou nem tentar...não dou pra musica, não tem jeito."

Por outro lado, muita gente que tem amplo dominio da inteligência musical (conhecimento de escalas, harmonia, tempo, e boa cordenação motora), não consegue abstrair esse conceito de musica que estou apresentando aqui (e que é uma das essências mais ancestrais da humanidade). São ótimos interpretes, outros ótimos compositores...mas criam sua musica a partir do Eu, o que além de demandar muito esforço, não tem conexões mais profundas.

São dois extremos de dificuldade, mas sinceramente, acho mais facil uma pessoa que nega a sua capacidade de deixar a musica natural fluir pelo seu ser, e assim deixar que a inteligência musical se desenvolva a partir da origem (que não está no eu, está no todo...no inconsciente coletivo), do que aquela pessoa que alimentou um orgulho muito grande no eu por suas capacidades musicais produzidas através de esforço e treinamento. Esse orgulho visa apenas a admiração dos outros, a sensação de ser amado por seu esforço e capacidades, e não pelas suas virtudes de coração. Situacão grave... como diz o Lama Samten.

Nos nossos encontros sempre vem uma ou mais pessoas novas, muitas sem nunca ter pego um instrumento...e em um certo momento a musica os chama para dentro dela, e eles entram na frequencia da mandala musical. Geralmente nas primeiras vezes a conexão é curta, pequenos flashes...por que o eu se defende como pode da experiência nova. Mas com o tempo, se permanece mais tempo conectado na mandala musical, obtendo mais beneficios e gerando beneficios na troca de energia com os outros.

Aos poucos queremos expandir né...mas somos jovens cheios de compromissos e problemas, sem dinheiro e sem organização...então vamos devagar né? Mas aos que se sentem chamados, ponham o dedo aqui o/, e a gente chama pra conhecer.

Gentileza gera gentileza
abraços

Sunday, August 27, 2006

Fábulas da vida real

O peregrino após longa e tortuosa jornada encontrou um velho sábio no meio da estrada, ele não sabe bem, talvez fosse apenas a sabedoria usando roupagens humanas.

Ele não tinha nenhuma pergunta a fazer, embora viesse há anos remoendo duvidas. Estava esgotado devido ao infrutifero esforço empregado ao longo do percurso... além disso, não conseguia recordar a ultima vez que concentrara-se plenamente em meditação. Prostrou-se em silêncio na frente do Lama, e este proferiu em tom suave as seguintes palavras que estremeceram os ouvidos mundanos do viajante:

"Há praticantes que de tempos em tempos aparecem por aqui, até um dia que nunca mais voltam... Vão progredindo e regredindo, em ciclos continuos, porém progressivos, mas nunca passam de um ponto. Na verdade eles não buscam de fato a liberação, apenas buscam usar os ensinamentos do dharma para mudar de posição na roda da vida...o que de fato acabam por conseguir. Embora haja situações mais confortaveis, não há lugar na roda da vida em que haja felicidade sem sofrimento atrelado. Onde, de fato, você quer chegar com a sua caminhada?"

Ele parou de caminhar, estava com fome e não poderia seguir adiante sem saciá-la.

Friday, August 18, 2006

Maravilhoso momento agua com açucar

E uma noite dessas ele resolveu acordar...
Ele, o coração...aguentou caladão tanto tempo
E me disse "Ei, qual é...lembra de mim?"

"Você, tão preocupado com coisas infindaveis...tolice
O futuro não nos pertence, meu caro
Deixa que contabilizem nossos méritos os anjos
Mas olha no espelho e lembra de mim...
Lembra de como eu te fiz feliz...quando prestavas atenção em mim
E se todas as paixões que te reservei revelaram-se tolices minhas
Tornaram-se tempestade e dor...foram pelos teus medos bobos"

Nisso tocava Beatles...e ambos, ele e seu coração recém haviam visto um belo filme...
Era noite de sabado, ele não tinha dinheiro...não tinha ninguem para ligar...ao menos estava sem coragem para ligar para nenhuma das mulheres que o seu coração sugeria...mas agora sentia-se bem...novamente com vontade de amar...

Da sua memória vieram suas amadas nessa vida...os momentos bons...os momentos apaixonantes...doces e inesqueciveis...

Há um ditado que diz que a satisfação do amor dura um segundo e as marcas do amor duram a vida toda...

Mas naquela noite não era isso o que ele sentia...sentia-se apenas um tolo...e finalmente compreendia a pureza dessa jóia que carrega no centro do peito...

Compreendia agora profundamente o poeta Quintana quando disse "cultive o seu jardim para que ele atraia abelhas e borboletas"...simples...simples...

Enquanto pensava nisso...esse tolo lembrou todas as suas amadas, na beleza do seus olhares, nos seus trejeitos, nas suas lindas formas, suas divinas maneiras de contagiar-me... sentia, enfim, que todas as mulheres que amou fizeram por merece-lo, este que é o mais nobre sentimento que um homem, pode oferecer em troca...o amor.

Assim como pensou, por fim...que não devia guardar marcas, dores...desilusões...e sim que devia abrir o portão dos jardins...deixar o sol entrar...

Lembrou-se do irmão de musica, que de seu coração deixou o coração se apaixonar a cada manhã... a criança descobrir o mundo a cada manhã...ensinou a olhar nos olhos o universo, misterio profundo...a cada manhã...

As minhas amadas, agradeço...algumas vem me ver por aqui.

;]

Tuesday, August 15, 2006

Como houvesse no fim do arco-iris o sagrado pote de ouro

Sonho acordado
Com aquela vontade de correr pelo campo com todo o vigor
Parando apenas para vomitar os cacos de um passado quebrado
E me despir das velhas vestes de prisioneiro
Daquela forma de existir
Onde ser alguem de fato é uma heresia
Impáfia humana
Emanada da boca dos bois ignorantes, em um Muuuu...

Muuudo então, agora desnudo desse caos silencioso
E nu desbravo o calor colérico dos infernos internos
Me vejo perdido, em um ritual, e nada sei sobre mim
Da confusão busco uma porta de saida.
A longo prazo, como seu eu soubesse quanto ainda dura a vida

Saboreio uma maça, enquanto penso, detaido na cama
Em um suicidio interno, um martirio coletivo
Mas olho os arredores e não vejo rumo
Cada canto desse planeta já tem dono e pouco se partilha
Dos beneficios de Mãe terra, aos que não giram a roda
da escavadeira que em sua carnificina, devora o mundo.

Nisso me tranquilizo, relembro as palavras do sabio lama
A identidade é o centro propulsor da roda da vida
E do espaço vazio surgem tantas formas inimaginaveis
Para qualquer pobre ignorante feito eu.

Pergunto-me ao saborear a bela maça
A sugar o suco que se aloja em sua carne de forma tao harmonica
"se desejasses tomar essa forma por esforço próprio, maçã? Serias tao bela?"
A maça respondeu do seu jeito, calada e bela, como se rissem todos os Budas
Imaginei Tcherenzig com seus infindaveis braços e olhares, estendendo sua compaixão há todos os seres
Pensei então que devia relaxar...desapegar-me de mim mesmo para, enfim, me tornar alguem...
Um simples barco alojando gente na corrente do TAO.

Om mani péme hum

E as emoções negativas dissipam-se...

Om ah hum benza guru pema siddhi hum

E chama-se o guru espiritual, a luz dos iluminados

Om gategate paragate parasamgate bodhi svaha

E busca se atravessar para a outra margem...

Saturday, August 12, 2006

Deus, Tédio, e outros icones

Em um momento de tédio...das costas doendo...
Matutando coisas bestas, para ocupar a mente de conectar com coisas mais profundas
Chego a conclusão que a humanidade conceber a ideia de DEUS é genial...
Afinal...é preciso clareza para perceber que MILAGRE doido, faz surgir um planeta, grama e arvores, pessoas, dor nas costas, e até o domingão do faustão.
Seria mais facil pensar que opa, beleza, cheguei e já tava ai...por que eu devo pensar que surgiu em algum momento? Mais facil fazer como as vacas, que aparentemente, não se questionam.

Bom
E dai?

Bom mas e o Grêmio hein? Ganha ou não amanhã?

....

E lá se vai a mente a pensar...para gastar o tempo...e para não deixar-se entrar na angustia mais profunda do existir...que por sinal, pode tambem ser uma grande besteira...

.....

Musica para os meus ouvidos...e deu

Friday, August 11, 2006

« Um homem perfeito é como um espelho: não se apega a nenhum de seus reflexos »

Ditado ZEN

Tuesday, August 08, 2006

Pensando a vida sob perspectiva kármica

Estou acabando de ler O Senhor da Dança, a autobiografia de Chagdud Tulku Rinpoche, o santo lama que fundou o Khadro Ling, o templo budista de três coroas. A obra é basicamente de memórias do Rinpoche sobre Infancia, Aprendizado, Exílio na India, porém fascinante.
O prisma pelo qual os tibetanos percebem a vida é bem diferente, recheado do que chamamos de misticismo e magia, e dentro dos relatos, coisas inacreditaveis acontecem, como lamas que escolhem morrer instantaneamente para poupar a vida de outras pessoas, e o seu corpo ao invés de putrefar-se torna-se um arco-iris, ou práticas lamaisticas que controlam o tempo e as chuvas.

O karma, para o budismo é uma tendência que provém da natureza ultima, o vazio...todos os seres provém do karma. Dessa tendencia natural de toda ação gerar uma reação, ou uma teia de reações, surgem os fluxos de consciência que navegam por essa teia, construindo seus mapas e seus mundos coletivos, construindo e vendo desabar os castelos de areia, condensando corpos e experimentando forma, sensação, percepção, formações mentais e consciência individual através de um processo ciclico e repetitivo de existencia chamado Samsara.

A natureza ultima, Dharmakaya (ou mente búdica), porém segue presente, imóvel e imutavel na essência de todos os fenomenos que surgem dela, por isso se diz que tudo é búdico, tudo parte dessa natureza pura. A ignorância, causa maior da vida samsárica, não nos permite ver a natureza mais profunda que contém tudo, e ao mesmo tempo é vazia. Por isso é representada como uma pessoa cega andando de bengala, sem luz alguma circulando no mundo.

Bom, não intento aqui entrar mais profundamente no tema, por que nem saberia faze-lo de maneira muito compreensivel, por que na verdade, ainda tateio pelas paredes buscando compreender bem esse assunto. Na verdade, minha intenção maior é pensar na praticidade da vida cotidiana.

O local onde nascemos é consequencia do karma, e acreditem ou não, já estamos circulando a muitas eras pelo samsara, e o Buda Shakyamuni certa vez disse que as gotas de lagrima que choramos ao longo das nossas existencias anteriores somam mais volume de agua do que os oceanos da terra. Local onde nascemos eu me refiro a uma maneira mais ampla: Familiares, local geografico, caracteristicas fisicas e caracteristicas psiquicas.

As caractersiticas na nossa familia que mais nos incomodam foram exatamente o local onde criamos para existir dessa vez, e todas as experiencias que vivemos, sejam boas ou ruins, provém da nossa trilha. Portanto ao invés de somente nos contaminarmos com o desejo e repulsa que esses vinculos nos despertam, devemos estgar puramente atentos para entender o sentido dessa existência que criamos, e poder transcender esse passo e gerar ao menos uma existência mais prospera no futuro, mais proxima da sabedoria primordial. A existencia humana é prospera para tal despertar, e segundo os lamas budistas, é rara de se atingir, e como todos ja notaram, é curta...e nao é garantido que voltaremos a viver dessa forma nos proximos giros da roda da exist6encia.

Todos vocês, imagino, que já se pegaram reclamando das coisas, da vida, de limitações, de problemas com a familia, de insatisfação nos relacionamentos, de depressão e medo. Assim como já se deliciaram com os prazeres da vida, com a satisfação de estar momentaneamente bem ao adentrar um relacionamento feliz, ao devorar um doce, ou a descansar após um dia duro de trabalho. Nosso movimento humano é muito parecido, por termos um karma coletivo compartilhado, em suma, geralmente buscamos entrar pela primeira porta que estiver escrito FELICIDADE em cima, e, ao ignorarmos a primeira verdade do budismo, chamada DUKKHA, que diz que todo objeto ou situação de felicidade em que nos apegamos carrega consigo as sementes da insatisfação e infelicidade, que buscaremos repulsar.
A consequencia? Saimos como que chutados do reino dos deuses para o reino dos infernos, e caimos no aspecto ruim do que anteriormente era a pura satisfação e gozo.

Assim o grande romance logo perde seu fogo
A jovem beleza logo torna-se insuportavel velhice
O belo palácio logo torna-se ruina
A prodigiosa carreira logo torna-se doença e fracasso.
O castelo de areia é sempre destruido pelas ondas do mar, embora os olhos recusem-se a olhar o mar se aproximar.

Dramático, para os nossos bem cultivados EUS...nossa identidade particular nessa vida, em nosso devaneio poético de sermos sólidos e duráveis. Porém, o eu dissolve-se logo após a morte, e logo após os elementos agregados que nos formaram dissolverem-se, navegamos no estado intermediario entre um renascimento e outro sem sequer referencias a nós mesmos, apenas impulsionados pelo karma gerado, as sementes de uma nova vida. Onde encararemos novamente toda essa batelada de ilusões...passo a passo...nascimento, velhice, doença e morte, até encontrarmos a verdadeira sabedoria e um bom mestre que nos ensinará a guiar a mente durante todos os estados mentais possiveis (estado desperto natural, estado meditativo luminoso, estado doloroso do morrer, e o estado carmico do vir-a-ser), nisso nos redicionamos rumo a dissolução da ignorancia, e assim iluminamos a vida, e buscamos ajudar os outros seres a atingir a sabedoria que dissolve o sofrimento ciclico.

Bom, penso que me alonguei demais
Om mani Padme Hum
Abraços